Capítulo IV – Samantha
Estava eu em frente ao meu computador quando dou pelo perfil do Mike. Eles estão no Texas! Meu deus! Nem acredito que se mudaram para cá! Será que ele e a Saphire viriam para a minha festa de anos se eu os convidasse? Foi então que me deixei de pensar e fui à janela, para junto do telescópio espreitar o inimigo... E vejo um criado dos Hudson a descarregar malas... Devem ter voltado de alguma viagem. Vi uma menina de costas com um vestido florido, que parecia a Saphire, mas com o cabelo mais curto. E mais louro. Deixei-me disso, pus o telescópio no sítio, fechei a janela e vesti o meu bikini. Apetecia-me nadar. Depois vesti uma camisola comprida e esforcei-me para que os meus primos que estavam cá e a minha irmã Rose fossem nadar comigo: o Harry, de 16 anos, o Alex, de 14, que estava na minha turma, o Sam, de 11 e a minha prima Jenny de 15. Eles foram comigo, mas a Jenny e o Harry ficaram à sombra a beber um batido de morango, deitados na espreguiçadeira.
- Olhem, está alguém na margem do outro lado! – Alertou a Rose.
- É verdade, priminha! - Disse o Alex, brincalhão como sempre. Ele está sempre a rir-se e fazer partidas, foi então que ele me puxou a perna e eu soltei um grito, que se ouviu do outro lado da margem. A Jenny estava a dormir com os headphones nos ouvidos e acordou com um pulo com o meu grito.
- Tu sabes que eu não gosto disso, Alex. – Disse na brincadeira, empurrando-o e salpicando-o. – Chega, vou para fora para junto da Jenny e do Harry. Tenho sede, faz falta... – Disse.
- Um gelado para todos! – Disse a minha mãe a sorrir muito alegre.
- Obrigada tia Mary! – Disse o Sam, que é um guloso de primeira. – De que são os gelados?
- Gelados de bolas! Boa! - Disse eu, para ele se consolar, o comilão da família.
- Gelados de vários sabores, está descansado, Sammie. Para ti trouxe um gelado de chocolate e cheesecake de morango. E uns pedacinhos de bolacha por cima... Como tu gostas! – Disse a minha mãe. – Não entendo como não engordas com isto tudo... - Mostrou uma taça cheia de gelado com os pedacinhos de bolacha por cima. És mesmo glutão! – Retomou num tom de brincadeira.
- Eu faço muito exercício. Por isso é que fico sempre com muita fome! – Disse o Sam, arrancando uma gargalhada a todos nós. Mas era verdade. Ele anda nos juniores da equipa de futebol americano. E também faz natação.
- E trouxeste de que mais? Chocolate, cheesecake, certamente de morango e talvez baunilha... e o meu preferido, manga! Estou certa? – Disse-lhe eu.
- Sim, e trouxe também um de menta com chocolate. Temos visitas, temos de ter variedade! – Disse a minha mãe libertando mais uma risada.
- Hmm, manga e baunilha... adoro!
Capítulo V – Mike
Estava na margem com o Damian, quando de repente ouço um grito… Na parte dos Grant Jales. Da casa da Samantha. E ouço-a falar com alguém, a dizer: “Vou para fora.” E depois um grito eufórico das pessoas que estavam com ela. Umas seis. Porque entretanto chegou mais uma, a mãe dela pelo que dava para ouvir. E eu estava sentado à beira do lago a pensar e à espera que os restantes descessem juntamente com o pior inimigo da Samantha, que parecia não a odiar tanto assim como ela dizia. Ele estava a olhar fixamente para o lado de lá da margem e a ver todos eles sorverem aquele gelado sentados numa mesa rodeada de cadeiras na qual o chapéu-de-sol estava encaixado. Eu acho que ele a odiava. Então quebrei o gelo:
- Tu odeias os Grant Jales?
- Não, não tenho nada contra eles, nem contra ninguém em especial. Mas as nossas famílias não se dão. Infelizmente. – Disse ele sem cruzar o olhar com ninguém. Parecia húmido, como se estivesse prestes a derramar uma lágrima.
- Eu quando ouvi falares dos Grant Jales, percebi logo quem eram. Eu conheço as gémeas. Mas dou-me melhor com a Samantha. A Rose é demasiado fria. Não têm nada a ver uma com a outra. São duas pessoas completamente diferentes.
- Eu sei... A Melanie era amiga da Samantha e antes das nossas famílias se detestarem, íamos os quatro para a escola juntos, e isso. Mas isso já foi há muito tempo... – Disse, tentando esquivar-se do assunto.
- Mas porque é que se zangaram todos?
- Por causa deste lago. Este lago tinha parte do terreno entre as nossas propriedades e nós não o queríamos partilhar. Então que o lago foi dividido ao meio, metade para cada uma das famílias. Mas o lago tem uma grande extensão, na minha opinião foi só teimosia dos patriarcas... os meus avós e os avós das gémeas. Por mim, não haveria esta guerra absurda.
- Mas odeias a Samantha?
- Não... Mas acho que ela sim. E a irmã dela também. E toda aquela família.
- Não, eu conheço a Samantha muito bem e não acho que ela te odeie. Mas a irmã dela é bem provável. É um bocado má para as pessoas a Rose, mas a Samantha não, é doce e amável. E muito talentosa também. Ela pinta muito bem.
- Bem, não me apetece falar sobre elas... E por falar nelas, vêm aí as nossas irmãs e as nossas mães também.
- Então, estavam à nossa espera há muito tempo? – Disse, marota, a Melanie. Gosto da maneira de ser dela, destemida e brinca com todo o tipo de assuntos. É simpática. – Eu espero que não tenham ficado aborrecidos... mas acho que não, não é meninos? – Repetiu apontando para as pessoas que estavam do outro lado da margem nas espreguiçadeiras molhadas e reflectiam os raios de sol que batiam nas gotas de água. Penso que quando apontou se referisse às três raparigas que estavam no outro lado da margem, e que iam agora a entrar pela margem, para nadarem e chapinharem. Estávamos em Setembro, na segunda semana, mas o sol continuava a brilhar como se fosse início de Agosto.
E nós entrámos também, finalmente. Estendemos as nossas toalhas nas espreguiçadeiras e desatámos a gritar, eu, o Damian e as nossas irmãs para dentro de água até que houve um grande splash conjunto e as nossas mães vestidas ainda nas espreguiçadeiras sentadas a beber um chá gelado. E o Andrew, a nadar e a exibir-se um pouco... Parecia-me que ele gostava de mostrar aquilo que era verdadeiramente. Embora ainda não tivesse percebido muito bem como ele era, parecia ausente de tudo e de todos. Parecia, arrisco-me a dizer, apaixonado. E por uma pessoa que estava ou ausente, ou, embora perto, impossível de assumir um relacionamento de que nível fosse com ele. E parecia apagado da vida. Apenas se preocupava em nadar de costas naquele momento. E eu queria ser feliz, neste lugar, como fui em Nova Iorque.